
Menos de 48 horas após a União Europeia ativar o Sistema de Entrada/Saída (EES), vários Estados-membros notificaram formalmente Bruxelas que irão prolongar os controlos temporários nas fronteiras internas do espaço Schengen por “razões de segurança e migração”. A decisão — inicialmente divulgada pelo veículo Bruxelas Post em 12 de abril — afeta os corredores terrestres que ligam Alemanha, Áustria, Eslovénia, Suécia e Dinamarca e, de forma crucial para as empresas belgas, os eixos rodoviários e ferroviários franco-belga e neerlandês-belga. Embora a Bélgica não tenha reintroduzido os controlos internos, o Grão-Ducado do Luxemburgo e os Países Baixos são destinos populares de fim de semana para trabalhadores móveis baseados em Bruxelas. A partir de segunda-feira, os trabalhadores transfronteiriços poderão enfrentar inspeções pontuais de documentos de identificação e buscas aleatórias em veículos, medidas que podem acrescentar entre 30 a 60 minutos às viagens que as empresas belgas normalmente contabilizam como tempo de trabalho. Fornecedores de logística alertam que os controlos “suaves” nas autoestradas E19 e E40 ainda terão impacto nas cadeias de abastecimento just-in-time que servem o porto de Antuérpia e os clusters farmacêuticos em torno de Leuven. A medida evidencia a tensão entre o ideal do espaço Schengen sem passaportes e a crescente pressão política para conter a migração irregular. A Comissão Europeia terá agora de decidir se autoriza a extensão dos controlos por até seis meses; entretanto, os gestores de mobilidade corporativa correm para atualizar as políticas de viagem. Especialistas da consultoria Fragomen recomendam emitir cartas da empresa que confirmem o estatuto de emprego e os direitos de residência dos trabalhadores do Reino Unido e de países terceiros que se deslocam a partir de bases belgas, mas residem do outro lado da fronteira interna. Na prática, as equipas de RH belgas devem orientar os colaboradores a portar cartão de identificação nacional ou passaporte — mesmo para deslocações habituais a Lille ou Eindhoven — e incluir uma margem extra nos horários das reuniões. Especialistas em realocação também alertam que os controlos prolongados podem complicar a contagem dos 90/180 dias para visitantes de negócios não pertencentes à UE, cujos passaportes agora são carimbados digitalmente pelo EES. A ausência de registos digitais de “saída” num ponto autorizado pode resultar em permanências ilegais, mesmo que o viajante nunca tenha saído do espaço Schengen. Com as eleições para o Parlamento Europeu a apenas oito semanas, poucos analistas esperam um recuo rápido. Por enquanto, as PME belgas orientadas para a exportação terão de absorver o atrito extra ou transferir reuniões para o formato online, comprometendo uma das principais vantagens competitivas do espaço Schengen.
Fonte: Brussels Post
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