
A tão aguardada Lei de Obrigação de Integração da Áustria — criada para impor penalidades mais rigorosas a migrantes que não frequentam cursos de idioma e valores cívicos — enfrentou um impasse político em 14 de abril, quando os parceiros da coalizão se acusaram publicamente de atrasos. A ministra da Integração, Claudia Bauer (ÖVP), afirmou ao *Oberösterreichische Nachrichten* que o projeto de lei estava “pronto para o parlamento”, mas não recebeu “nenhum retorno” do Partido Social-Democrata (SPÖ) e do partido liberal NEOS, o que gerou uma troca de declarações incomumente dura. O rascunho de 33 páginas prevê multas de até €5.000 para titulares de status de asilo e beneficiários de proteção subsidiária — e, em caso de reincidência, permite penas curtas de detenção — caso se recusem a participar dos cursos obrigatórios de alemão ou de valores cívicos. Os defensores argumentam que os programas voluntários fracassaram, citando 13.000 desistências não justificadas por ano e 48.000 pessoas protegidas que permanecem desempregadas. Já os opositores alertam que sanções sem reformas paralelas no acesso ao mercado de trabalho e na assistência social podem aprofundar a exclusão em vez de acelerar a integração. Do ponto de vista da mobilidade corporativa, a lei é relevante porque o sistema austríaco Red-White-Red para trabalhadores qualificados depende cada vez mais da reunificação familiar e da fixação a longo prazo. Regras mais rígidas podem atrasar a emissão de permissões para dependentes ou aumentar os obstáculos administrativos, caso os familiares precisem comprovar a participação ativa nos cursos para renovar os documentos. Multinacionais com centros em Viena estão, portanto, pressionando por períodos de transição e orientações claras sobre o cumprimento das normas. A disputa na coalizão também gera incertezas quanto ao cronograma. Advogados parlamentares haviam previsto a primeira leitura para o final de maio, com entrada em vigor prevista para 1º de janeiro de 2027, mas fontes internas alertam que, sem consenso, o projeto pode ser adiado para a sessão pós-verão — perigosamente próximo ao período eleitoral de 2027. As empresas devem acompanhar a possível publicação de regulamentos provisórios, especialmente sobre a oferta de cursos em províncias menores, onde o acesso já é limitado. Embora o debate seja interno, sua mensagem ecoa além das fronteiras: a Áustria está alinhando-se a uma tendência europeia mais ampla de condicionar a residência a resultados mensuráveis de integração. Empregadores que transferem funcionários para a Áustria devem preparar-se para informar os familiares acompanhantes sobre as obrigações de frequência aos cursos e prever multas potenciais em suas políticas de deslocamento.
Fonte: ORF.at
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