
Falando com jornalistas após o Conselho de Justiça e Assuntos Internos de 17 de abril de 2026, em Luxemburgo, a Ministra da Migração da Bélgica, Anneleen Van Bossuyt, reiterou que o país não aceitará uma obrigação geral de executar ordens de deportação emitidas por outros Estados-membros da UE. A cláusula contestada — parte do pacote final de regulamentos que sustentam o novo Pacto sobre Migração e Asilo — obrigaria todos os países do espaço Schengen a realizar a expulsão assim que qualquer Estado emitir uma decisão de retorno. Van Bossuyt classificou a ideia como “um incentivo perverso” que poderia sobrecarregar a já limitada capacidade de remoção da Bélgica. O país processa cerca de 25 mil casos de retorno por ano, mas consegue efetivar apenas um quinto, principalmente porque os países de destino recusam a readmissão ou os migrantes desaparecem durante o período de recurso. Sob o princípio do reconhecimento mútuo, as autoridades temem que a Bélgica herde milhares de casos de “movimentação secundária” originados no sul da Europa. O Escritório de Imigração estima custos adicionais de €70 milhões anuais para detenção, escoltas e voos charter — verba que a coalizão minoritária afirma não dispor. Em vez disso, Bruxelas propõe um modelo híbrido: cada Estado poderia optar por não executar fisicamente a ordem de outro país, desde que pague €20 mil por migrante não retornado a um fundo comum de solidariedade da UE. Vários Estados do norte e leste, liderados por Holanda e Chéquia, apoiam o compromisso, enquanto Alemanha e Espanha argumentam que isso poderia enfraquecer a credibilidade do pacto. Para as equipes de mobilidade global, a disputa é crucial, pois definirá se a Bélgica se tornará um ambiente mais rigoroso para trabalhadores cujo status de residência expira após o fim de um projeto. Se a execução automática for mantida, profissionais que ultrapassarem o prazo poderão enfrentar detenção e remoção mais rápidas — mesmo que a autorização original tenha sido emitida em outro país da UE. Empregadores que patrocinam transferências internas na UE ou regimes de Trabalhador Destacado devem, portanto, revisar cuidadosamente as estratégias de saída ao término dos projetos. Diplomatas esperam um acordo político até junho, quando o pacto entrará em sua fase operacional. Até lá, gestores de mobilidade corporativa devem acompanhar os debates parlamentares belgas para identificar sinais sobre a possível apresentação de uma lei nacional de implementação (e novos créditos orçamentários).
Fonte: The Brussels Times
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