
Faltando menos de dois meses para o início da Copa do Mundo masculina da FIFA 2026 na América do Norte, dados recém-divulgados mostram que o Canadá recusou mais de 20 mil pedidos de visto de visitante feitos por torcedores estrangeiros que esperavam assistir aos jogos em Toronto e Vancouver. Números obtidos pelo The Globe and Mail via Lei de Acesso à Informação — e amplamente compartilhados nas redes sociais em 1º de agosto — indicam que, entre novembro de 2025 e 31 de março de 2026, o IRCC processou cerca de 46 mil pedidos relacionados à Copa do Mundo. Destes, 26 mil foram aprovados e mais de 20 mil rejeitados, resultando em uma taxa de recusa geral de 44%. Os índices variam muito conforme o país. Pedidos vindos de Gana, cuja seleção abre o torneio em Toronto, foram recusados 89% das vezes (3.135 recusas em 3.500 solicitações). Nigéria, Colômbia e Paquistão também apresentaram taxas de recusa acima de 70%, enquanto candidatos de países isentos de visto na Europa praticamente não tiveram negativas, pois viajam com autorizações eletrônicas (eTAs) em vez de vistos. Autoridades do IRCC informaram que o departamento utilizou um “modelo de triagem baseado em risco”, que considerou dados de permanência irregular anterior, estatísticas de pedidos de asilo e o perfil financeiro do solicitante. A rigorosidade reflete a determinação de Ottawa em evitar um episódio semelhante ao das Olimpíadas de Vancouver 2010, quando centenas de espectadores solicitaram status de refugiados após os jogos. Até o momento, 25 cidadãos ganeses que entraram no Canadá com vistos para a Copa já apresentaram pedidos de asilo, segundo a Agência de Serviços de Fronteira do Canadá. Ao adotar uma triagem rigorosa desde o início, o IRCC busca tranquilizar os Estados Unidos — coanfitrião e maior parceiro comercial do Canadá — de que a migração relacionada ao torneio não vai impulsionar travessias irregulares pela fronteira terrestre do paralelo 49. Organizadores do evento e o setor hoteleiro têm reações mistas. Hotéis na Grande Toronto contavam com um aumento de torcedores africanos e sul-americanos para ocupar quartos de preço médio e econômico. “Revisamos nossas previsões de ocupação para baixo em cerca de oito pontos percentuais”, disse o vice-presidente regional de uma grande rede hoteleira. Revendedores de ingressos, por sua vez, relatam que os assentos liberados por portadores de vistos recusados estão sendo rapidamente adquiridos por torcedores locais a preços premium, compensando parcialmente a queda nos gastos do turismo internacional. Grupos da sociedade civil acusam o Canadá de discriminação. A Associação Canadense de Advogados de Refugiados observa que as taxas de recusa refletem as hierarquias racializadas presentes nas estatísticas de vistos não esportivos e alertam que negativas em massa podem levar turistas legítimos a buscar rotas irregulares e perigosas. O IRCC rebate afirmando que cada pedido é avaliado individualmente por agentes humanos e que o departamento aumentou a capacidade dos centros de solicitação de visto em Lagos e Acra para permitir reaplicações com documentação mais robusta. Para empresas que precisam deslocar funcionários ou clientes ao Canadá durante a Copa, a lição é planejamento e comprovação. Gestores de viagens devem prever prazos maiores para o pedido de visto de visitante, garantir que os solicitantes demonstrem vínculos fortes com o país de origem e, quando possível, optar pelo caminho de Visitante de Negócios Isento de Visto para visitas corporativas curtas relacionadas ao torneio.