
Uma reformulação no sistema de apoio a refugiados na Chéquia entra em vigor esta semana, após o Ministério do Interior cancelar discretamente projetos de assistência jurídica cofinanciados pela UE e geridos por organizações não governamentais (ONGs). Em vez disso, o Estado lançou uma nova licitação no valor de mais de 23 milhões de coroas tchecas para que um único escritório de advocacia comercial ofereça consultoria dentro dos centros de acolhimento e detenção. Até agora, os requerentes de asilo podiam consultar advogados de ONGs — cujo trabalho era financiado em 75% pelo Fundo da UE para Asilo, Migração e Integração (AMIF) — ou advogados contratados diretamente pelo ministério. Nos últimos dois anos, a opção das ONGs custou ao contribuinte cerca de 5,5 milhões de coroas, contra 22,8 milhões para o contrato com o setor privado. Críticos afirmam que a mudança para um modelo mais caro não faz sentido fiscal e enfraquece a supervisão independente das decisões de asilo. Grupos de direitos humanos, como a Organização de Apoio a Refugiados (OPU), alertam que o acesso será ainda mais restrito, pois agora os funcionários das ONGs só poderão entrar nas instalações com uma procuração assinada — documento que muitos recém-chegados não conseguem apresentar antes da primeira entrevista. O Gabinete do Defensor Público dos Direitos classificou a medida como “não padrão e sem explicação”, destacando que o ministério poderia continuar usando os recursos do AMIF em vez de recorrer ao orçamento nacional. Para gestores de mobilidade global que realocam funcionários sob programas de asilo ou humanitários, a mudança implica prazos mais longos e custos potencialmente maiores para representação profissional. Empregadores que patrocinam profissionais deslocados — como especialistas em TI sírios ou engenheiros afegãos — devem prever despesas com honorários advocatícios privados e garantir que os recém-chegados recebam instruções claras sobre como conceder procuração antes da chegada. O Ministério do Interior argumenta que a fusão dos dois sistemas paralelos simplificará as compras públicas e permitirá que os fundos da UE sejam “realocados para outras atividades de integração”. No entanto, observadores temem que a política possa enfrentar desafios legais caso aumentem as taxas de recusa de asilo. Empresas com compromissos de responsabilidade social corporativa (RSC) voltados à contratação de refugiados podem considerar envolver redes alternativas de pro bono ou pressionar pela reintegração do acesso das ONGs.
Fonte: Seznam Zprávy
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