
A decisão do Governo irlandês de encerrar a acomodação turística e comercial para até 16.000 refugiados ucranianos a partir de agosto gerou preocupação entre ONGs e consultores de mobilidade. Grupos de apoio a refugiados informaram ao The Irish Times, em 30 de abril, que muitos ucranianos estão agora considerando solicitar asilo formalmente — uma consequência inesperada que pode sobrecarregar um sistema de proteção internacional já enfrentando atrasos recordes. Desde março de 2022, beneficiários da Diretiva de Proteção Temporária da UE podem viver e trabalhar na Irlanda sem passar pelo processo mais lento de asilo. A redução da oferta de hotéis e a eliminação gradual do pagamento mensal de €600 para os anfitriões retiram uma rede de segurança essencial. Brian Killoran, do Fórum da Sociedade Civil da Ucrânia, alertou que mesmo uma migração de 10% dos 84.000 ucranianos atualmente na Irlanda para o sistema de asilo colocaria o sistema sob “tensão catastrófica”. Para os empregadores, a mudança traz implicações reais na mobilidade. Empresas que contrataram talentos ucranianos contando com alojamento apoiado pelo Estado podem precisar ajudar seus funcionários a encontrar aluguel privado em um mercado imobiliário já apertado, sob risco de perder profissionais-chave. As equipes de RH devem revisar orçamentos de deslocamento, considerar auxílios para complementação de aluguel e dialogar com fornecedores de realocação sobre opções de curto prazo fora dos tradicionais pontos turísticos. O Departamento de Justiça afirma que a retirada será gradual e alinhada a uma recomendação da UE para a transição das pessoas fora da proteção temporária. Refugiados vulneráveis continuarão a receber assistência direcionada, e todos os ucranianos permanecem elegíveis para trabalhar, acessar serviços de saúde e (sujeito a testes de renda) receber subsídio de aluguel. No entanto, consultores jurídicos destacam que quem considerar solicitar asilo deve compreender as diferentes regras de permissão de trabalho aplicáveis a requerentes de proteção internacional. Por isso, as empresas devem elaborar planos de contingência, incluindo: monitorar mudanças no status de residência dos funcionários; oferecer orientações jurídicas sobre direitos de proteção versus proteção temporária; e pressionar por diretrizes mais claras sobre acesso a apoios habitacionais convencionais, como o HAP. A falta de ação pode deixar profissionais qualificados em situação de limbo, impossibilitados de viajar a trabalho ou renovar seus vistos a tempo.
Fonte: The Irish Times
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