
O Ministro do Trabalho de Chipre, Marinos Mousiouttas, confirmou em 19 de julho que o governo vai dobrar imediatamente o número de inspetores de trabalho e de segurança social responsáveis por combater o emprego não declarado ou ilegal. A decisão — aprovada pelo Conselho de Ministros — aumenta o número de inspetores de campo de oito para dezesseis e ocorre após operações noturnas que resultaram na detenção de 47 trabalhadores, muitos deles estudantes de países terceiros e requerentes de asilo, em bares e restaurantes de Nicósia e Limassol. As autoridades defendem que a repressão é necessária para proteger os trabalhadores legais e garantir o pagamento das contribuições à segurança social. No entanto, federações patronais e associações do setor de hospitalidade alertam que a medida pode agravar a escassez crônica de mão de obra no auge da temporada turística, quando trabalhadores locais e da UE já são escassos para funções no setor de serviços. Restaurantes temem que multas administrativas pesadas e possíveis deportações de funcionários possam forçar a redução dos serviços justamente quando o número de visitantes se aproxima dos níveis pré-pandemia. Com as próximas alterações legislativas, os inspetores poderão aplicar penalidades imediatas tanto a empregadores quanto a estrangeiros encontrados trabalhando fora da lista restrita de setores permitidos para estudantes e requerentes de asilo. O ministério insiste que as medidas mais rigorosas são necessárias, apesar dos seus próprios dados mostrarem que o trabalho não declarado caiu de 15% em 2017 para apenas 5% em 2025. Para gestores de mobilidade global, essa mudança levanta questões imediatas de conformidade. Empresas multinacionais que operam em Chipre devem garantir que estagiários, trabalhadores sazonais e colaboradores temporários possuam as autorizações corretas e estejam registrados na segurança social desde o primeiro dia. Fornecedores de serviços — empresas de catering, organizadores de eventos, prestadores de limpeza — devem ser auditados rapidamente, já que as inspeções no local podem ocorrer sem aviso prévio e as multas serão aplicadas ao cliente final caso sejam detectadas irregularidades. Olhando para o futuro, líderes de RH podem precisar prever orçamentos para ofertas salariais mais atrativas para captar talentos da UE ou explorar permissões de transferência intraempresa para trabalhadores-chave de países terceiros. O governo, por sua vez, enfrenta um delicado equilíbrio: reprimir abusos sem sufocar a própria oferta de mão de obra que sustenta a economia turística de Chipre.
Fonte: Cyprus Mail
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