
Enquanto as manchetes políticas focam em migração e segurança, as empresas que dependem da "Ponte Terrestre de Gibraltar" enfrentam crescentes problemas operacionais. No dia 31 de julho, os horários das balsas entre Ceuta e Algeciras, operadas pela FRS Iberia e Naviera Armas, sofreram atrasos de até três horas, devido à realização de inspeções adicionais de passaportes sob supervisão policial. Algumas partidas foram alteradas de roll-on/roll-off para apenas passageiros, priorizando a evacuação de migrantes exaustos que retornavam ao Marrocos, deixando caminhões de carga retidos no porto de Algeciras. O tráfego aéreo também foi impactado. A empresa de helicópteros Hélity suspendeu suas quatro primeiras rotas entre Ceuta e Málaga após o Ministério da Defesa declarar uma área restrita temporária ao redor do heliporto da enclave durante a fase de implantação das tropas. Os serviços foram retomados às 15h00 CEST, porém com limite de peso que obrigou a retirada de bagagens. Delegações empresariais que chegaram ao polo automotivo de Tânger relataram trajetos de sete horas porta a porta, contra as habituais três horas. Transportadoras estão desviando cargas sensíveis (produtos farmacêuticos, frutos do mar perecíveis) pela rota Cádiz–Tânger Med ou, quando possível, via balsa Bilbao–Portsmouth e transporte rodoviário pela França. Essa alternativa acrescenta 48 horas e 15% aos custos, mas evita a incerteza em El Tarajal. Despachantes aduaneiros alertam que, se o acúmulo não for resolvido antes do fim de semana de pico da OPE (Operação Passagem do Estreito), a partir de 2 de agosto, a congestão portuária pode se estender aos terminais de contêineres em Algeciras e prejudicar o fluxo de cargas Ásia–UE. Empresas de gestão de viagens (TMCs) emitiram "Alertas de Disrupção em Ceuta", recomendando aos clientes evitar conexões no mesmo dia via Algeciras ou Málaga e portar reservas de hotel impressas e cartas corporativas para evitar serem confundidos com migrantes irregulares durante fiscalizações pontuais. Empregadores com trabalhadores destacados no Marrocos foram lembrados de que retornos emergenciais via Ceuta contam como entrada na Espanha e podem reduzir os períodos permitidos de permanência no espaço Schengen. A médio prazo, analistas esperam que a crise reacenda os pedidos do setor por um corredor comercial dedicado ao transporte de cargas em El Tarajal e pela tão aguardada ligação ferroviária de carga entre Algeciras e a fronteira francesa, projetos que aumentariam a redundância na cadeia logística estratégica da Espanha.