
Uma série de relatos em primeira mão, publicada hoje pelo veículo romano Fanpage.it, revela o custo humano do principal programa italiano de migração laboral, o Decreto Flussi. A investigação acompanha Anan, um jovem de 22 anos de Bangladesh que pagou intermediários o equivalente a €25.000 pela promessa de um emprego em hotel em Salerno e um visto de entrada emitido dentro da cota de 2024.
Ao chegar em Roma-Fiumicino com um visto perfeitamente válido, o contato que deveria acompanhá-lo até a prefeitura desapareceu. Em poucas semanas, o hotel retirou o ‘nulla osta’ (autorização de trabalho) e Anan caiu em situação irregular, apesar de buscar desesperadamente um emprego legal.
Advogados e trabalhadores de ONGs entrevistados pelo Fanpage estimam que apenas 7 a 13% das autorizações de trabalho concedidas pelos decretos de cotas recentes são efetivamente convertidas em permissões de residência, deixando dezenas de milhares em limbo a cada ano. Como as regras atuais dão ao empregador — e não ao trabalhador — o controle total para assinar o contrato final no escritório de imigração, recrutadores de má-fé podem simplesmente desaparecer, anulando o visto e aprisionando o migrante em dívidas.
O artigo também documenta histórias semelhantes de trabalhadores bengalis e norte-africanos por toda a Itália. Alguns pagaram ‘corretores’ até €30.000, outros descobriram que a empresa indicada no visto nunca existiu. Grupos de defesa, como ARCI e ASGI, afirmam que o sistema de cotas incentiva o tráfico humano, pois não há um registro público de habilidades nos países de origem; o recrutamento ocorre por redes pessoais opacas que cobram taxas exorbitantes. Vários parlamentares prometeram emendas para transferir a responsabilidade da assinatura dos contratos para agências de emprego certificadas e criar garantias em conta escrow contra fraudes.
Para multinacionais e gestores de realocação, a denúncia é um alerta: subsidiárias italianas que dependem das contratações pelo Decreto Flussi podem enfrentar em breve exigências mais rigorosas de due diligence, verificações mais longas dos patrocinadores e possível responsabilidade solidária por abusos. Recomenda-se que os empregadores auditem seus intermediários de trabalho, reservem tempo extra para agendamentos na prefeitura e considerem categorias alternativas de permissão — como o Cartão Azul da UE ou o novo Visto para Nômades Digitais — até que as reformas entrem em vigor.
Enquanto isso, especialistas recomendam que os trabalhadores recém-chegados recebam kits multilíngues de boas-vindas explicando o prazo de 8 dias para assinar contratos, como obter o código fiscal e onde encontrar assistência jurídica gratuita caso o empregador não cumpra suas obrigações.
Ao chegar em Roma-Fiumicino com um visto perfeitamente válido, o contato que deveria acompanhá-lo até a prefeitura desapareceu. Em poucas semanas, o hotel retirou o ‘nulla osta’ (autorização de trabalho) e Anan caiu em situação irregular, apesar de buscar desesperadamente um emprego legal.
Advogados e trabalhadores de ONGs entrevistados pelo Fanpage estimam que apenas 7 a 13% das autorizações de trabalho concedidas pelos decretos de cotas recentes são efetivamente convertidas em permissões de residência, deixando dezenas de milhares em limbo a cada ano. Como as regras atuais dão ao empregador — e não ao trabalhador — o controle total para assinar o contrato final no escritório de imigração, recrutadores de má-fé podem simplesmente desaparecer, anulando o visto e aprisionando o migrante em dívidas.
O artigo também documenta histórias semelhantes de trabalhadores bengalis e norte-africanos por toda a Itália. Alguns pagaram ‘corretores’ até €30.000, outros descobriram que a empresa indicada no visto nunca existiu. Grupos de defesa, como ARCI e ASGI, afirmam que o sistema de cotas incentiva o tráfico humano, pois não há um registro público de habilidades nos países de origem; o recrutamento ocorre por redes pessoais opacas que cobram taxas exorbitantes. Vários parlamentares prometeram emendas para transferir a responsabilidade da assinatura dos contratos para agências de emprego certificadas e criar garantias em conta escrow contra fraudes.
Para multinacionais e gestores de realocação, a denúncia é um alerta: subsidiárias italianas que dependem das contratações pelo Decreto Flussi podem enfrentar em breve exigências mais rigorosas de due diligence, verificações mais longas dos patrocinadores e possível responsabilidade solidária por abusos. Recomenda-se que os empregadores auditem seus intermediários de trabalho, reservem tempo extra para agendamentos na prefeitura e considerem categorias alternativas de permissão — como o Cartão Azul da UE ou o novo Visto para Nômades Digitais — até que as reformas entrem em vigor.
Enquanto isso, especialistas recomendam que os trabalhadores recém-chegados recebam kits multilíngues de boas-vindas explicando o prazo de 8 dias para assinar contratos, como obter o código fiscal e onde encontrar assistência jurídica gratuita caso o empregador não cumpra suas obrigações.
Fonte: Fanpage.it