
Empresas internacionais com grande presença nos Emirados Árabes Unidos passaram a última semana ativando planos de continuidade que normalmente ficam guardados na gaveta: trabalho em locais divididos, rodízio de funcionários, fechamento temporário de escritórios e mandatos de trabalho remoto de curto prazo. Citi, Standard Chartered, DHL, PwC, CBRE e várias multinacionais confirmaram que as medidas adotadas desde o final de fevereiro foram respostas preventivas aos ataques com mísseis e drones iranianos no Golfo, e não indicativos de uma saída mais ampla do mercado. Na prática, isso significa que as equipes das sedes no Dubai International Financial Centre e no Abu Dhabi Global Market estão trabalhando de casa ou em locais de backup, enquanto as unidades de atendimento ao cliente – centros de private banking, depósitos logísticos, recepções de hotéis – continuam operando. A Direção Geral de Residência e Assuntos de Estrangeiros (GDRFA) acelerou as alterações de permissões de entrada para funcionários realocados, e as autoridades das zonas francas registram um aumento de 40% nas solicitações de permissões para trabalho remoto, comparado à semana anterior. O interesse corporativo pelos Emirados não diminuiu. A pesquisa recente com CEOs da PwC mostra que 91% dos executivos nos Emirados esperam crescimento mais forte nos próximos 12 meses, enquanto a DHL reafirmou na terça-feira um plano de investimento de €500 milhões no Oriente Médio até 2030. No setor de hospitalidade, a IHG confirmou que segue com a abertura do Kimpton Dubai no quarto trimestre e não prevê mudanças nos prazos de realocação de gerentes expatriados. A maior pressão está sendo sentida na logística de mobilidade. DHL e FedEx afirmam que desviar cargas do Estreito de Ormuz, temporariamente restrito, adiciona de 12 a 24 horas ao tempo de entrega porta a porta e gera cobranças emergenciais de combustível. Equipes de RH relatam aumento nos custos de hotéis e apartamentos com serviços, enquanto funcionários corporativos aguardam voos comerciais adiados. Ainda assim, o consenso nas salas de reunião é que o vasto talento local, as vantagens fiscais e o status de hub global dos Emirados superam os custos das medidas de contingência. Para os gestores de mobilidade, a lição é clara: mantenham cláusulas de trabalho remoto emergencial nos contratos de destacamento, reservem orçamento extra para vistos e acomodações pontuais, e preparem-se para filas no processamento de imigração à medida que mais empresas solicitam alterações. Mas não esperem uma debandada – os planos de investimento e as previsões de contratação continuam firmemente em alta.
Fonte: Voice of Emirates
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