
Principais companhias aéreas dos EUA aumentam pressão sobre o Governo irlandês para eliminar o limite de 32 milhões de passageiros que, desde 2008, restringe o fluxo no Aeroporto de Dublin, após a aprovação do Terminal 2. Em um documento enviado ao Comitê de Transportes do Oireachtas, obtido pelo The Irish Times, o grupo de lobby Airlines for America (A4A), com sede em Washington, argumenta que esse limite distorce o mercado transatlântico ao permitir a expansão das companhias aéreas irlandesas, enquanto restringe novos serviços e aumentos de frequência por concorrentes fora da UE. Embora o limite tenha sido ultrapassado em 2024 e 2025, sua aplicação está suspensa enquanto a DAA (operadora do aeroporto) enfrenta litígios na Irlanda e na UE. O ministro dos Transportes, Darragh O’Brien, indicou no início do ano que apresentará uma legislação para eliminar o teto, mas a A4A alerta que o processo precisa ser acelerado, já que as companhias definem frotas e horários com 12 a 18 meses de antecedência. “O atraso pode prolongar a instabilidade e minar a confiança”, destaca o grupo, lembrando que American, United e Delta já tiveram que adiar planos para ampliar serviços na Irlanda no verão de 2026. O limite de passageiros foi criado inicialmente para atender preocupações locais sobre ruído e trânsito. Grupos comunitários do norte do Condado de Dublin terão uma audiência na próxima semana e devem pedir restrições mais rigorosas para voos noturnos e uma nova avaliação ambiental. Por outro lado, organizações empresariais afirmam que o limite prejudica a economia irlandesa: multinacionais consideram a conectividade intercontinental confiável essencial para futuros investimentos, enquanto operadores turísticos temem falta de capacidade em eventos de grande porte, como o Euro 2028 e os campos de treinamento para as Olimpíadas de Los Angeles previstos na Irlanda. Para equipes de mobilidade corporativa, o impacto é imediato e prático. A escassez de assentos em voos noturnos para o leste já elevou o preço médio das passagens Dublin-EUA em 9% ano a ano, segundo a empresa de análise ForwardKeys, e as empresas enfrentam dificuldades para garantir viagens de última hora para equipes de projetos. Líderes de RH também temem que potenciais transferidos optem por hubs como Amsterdã ou Heathrow caso a conectividade piore. Caso o comitê aprove o projeto de lei, fontes governamentais indicam que a legislação pode ser aprovada até o início do verão, permitindo que a DAA apresente um plano revisado de Quota de Ruído e Crescimento Sustentável ao órgão regulador antes da próxima temporada de programação de inverno. Paralelamente, o aeroporto avança com um plano de investimentos de €1,9 bilhão para adicionar posições de contato, um novo hall de imigração e melhorias nas filas de segurança — investimentos que analistas dizem ser improváveis sem a remoção do limite legal. Até lá, gestores de viagens devem prever volatilidade nas tarifas e incentivar reservas de viagens críticas com pelo menos seis semanas de antecedência.
Fonte: The Irish Times
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