
Uma reportagem de capa do jornal Wen Wei Po, de Hong Kong, em 23 de junho, alertou sobre agências que promovem “pacotes completos” prometendo renovação garantida do Top Talent Pass ou do Technology Talent Admission Scheme, incentivando os candidatos a criarem empresas de fachada e “contratarem a si mesmos”. O advogado Luk Wai-hung afirmou ao jornal que essa prática envolve “risco legal extremamente alto” e pode configurar fraude ou uso de documentos falsos, com penas de até 14 anos de prisão e multa de HK$ 150.000. O Departamento de Imigração confirmou que realiza inspeções surpresa para verificar se as empresas patrocinadoras estão realmente em operação, analisando demonstrações financeiras, declarações fiscais e registros de folha de pagamento. Caso a empresa seja considerada fachada, o visto pode ser cancelado retroativamente e o titular removido, mesmo que já tenha obtido residência permanente. Infratores reincidentes correm o risco de serem incluídos em lista negra para futuras solicitações. O alerta surge após aumento de anúncios de consultorias voltados a empreendedores de tecnologia da China continental que buscam uma via rápida para residência em Hong Kong antes de ofertas públicas iniciais (IPOs). Alguns pacotes, com preços entre HK$ 80.000 e 120.000, incluem compra de empresa de prateleira, espaço de escritório virtual e contratos comerciais fictícios para impressionar os avaliadores. Consultores de mobilidade corporativa recomendam que startups genuínas mantenham provas sólidas de operação — como faturas de clientes, contribuições ao MPF e comprovação de contratação local — para resistir a auditorias. Empregadores que patrocinam profissionais-chave devem evitar atalhos “faça você mesmo” e contratar escritórios de advocacia confiáveis. A negligência pode atrasar cronogramas de IPO, causar danos à reputação e complicar a extensão de vistos familiares dos funcionários. O caso também ressalta a importância de verificar a idoneidade dos intermediários de imigração: segundo a lei de Hong Kong, apenas advogados ou contadores qualificados podem cobrar por consultoria imigratória. Equipes de RH devem atualizar políticas internas para incluir o Código de Prática para Agências de Emprego e exigir relatórios de due diligence antes de contratar consultores externos.
Fonte: Wen Wei Po