
A campanha extraordinária de regularização de imigrantes em situação irregular na Espanha, que durou 10 semanas, encerrou seu portal eletrônico à meia-noite do dia 29 de junho, superando amplamente as projeções do governo. Segundo dados citados pelo EL PAÍS, mais de 900 mil pedidos haviam sido registrados até meados de junho, e os contadores internos da plataforma indicam agora mais de 1,3 milhão de submissões. O programa, iniciado em 15 de abril pelo Decreto Real 316/2026, oferece uma autorização provisória de trabalho e residência para estrangeiros que 1) tenham entrado na Espanha antes de 1º de janeiro de 2026 e 2) comprovem pelo menos cinco meses consecutivos de presença no país. Os responsáveis do Ministério da Inclusão, Segurança Social e Migração têm três meses para analisar cada caso, mas fontes informam ao EL PAÍS que várias centenas de milhares de processos já receberam decisão favorável. Grupos empresariais e sindicatos apoiam a iniciativa, argumentando que ela vai canalizar o trabalho irregular para a economia formal, ampliar a base da Segurança Social e ajudar a suprir as vagas crônicas na agricultura, hotelaria e cuidados a idosos na Espanha. O aumento da demanda também reacendeu o debate político. Partidos de centro-direita e extrema-direita na oposição classificam o decreto como um “fator de atração”, enquanto a coalizão governista insiste que a maioria dos candidatos já está economicamente ativa no país e apenas precisa do status legal para ter acesso pleno às proteções trabalhistas. Organizações da sociedade civil, que reuniram 700 mil assinaturas para um projeto de lei anterior, celebraram os números, chamando o processo de “um resgate de dignidade”. Do ponto de vista da mobilidade corporativa, a medida pode ampliar significativamente o pool de talentos autorizados a trabalhar na Espanha, justamente quando as empresas enfrentam a escassez de mão de obra pós-pandemia. Advogados especializados em imigração, porém, alertam as equipes de RH para se prepararem para atrasos no processamento e para verificarem se os novos contratados completaram o cadastro biométrico e possuem o cartão provisório de residência (TIE) antes da contratação. Dica prática: os empregadores podem patrocinar candidatos emitindo um contrato de trabalho condicional, mas devem registrar o trabalhador na Segurança Social em até um mês após a aprovação favorável, sob risco de cancelamento do processo. Por isso, os departamentos de RH devem alinhar os calendários de recrutamento com o prazo de três meses para análise do ministério e preparar a documentação de conformidade com antecedência.
Fonte: EL PAÍS
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