
O maior grupo aéreo da Alemanha anunciou uma das maiores reduções de voos de sua história após o preço do combustível de aviação dobrar devido ao conflito no Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz. Em comunicado divulgado no final do dia 21 de abril, o Grupo Lufthansa informou que cancelará 20 mil voos, principalmente de curta distância, entre maio e outubro — cerca de 5% do seu programa de verão — para economizar aproximadamente 40 mil toneladas de querosene. Os cortes atingem as principais companhias da rede Lufthansa, além da Austrian Airlines, Brussels Airlines, ITA Airways e SWISS. Rotas ponto a ponto com baixa demanda foram as primeiras a serem eliminadas; por exemplo, os voos diretos de Frankfurt para Bydgoszcz e Rzeszów, na Polônia, e de Munique para Stavanger, na Noruega, serão suspensos, com os passageiros sendo remarcados via hubs do grupo em Frankfurt, Munique, Viena, Zurique, Bruxelas e Roma. Parte da capacidade também desaparecerá permanentemente com o fechamento da subsidiária regional CityLine, anunciado na semana passada. Analistas do setor veem essa medida como um indicativo do que esperar para o verão europeu. Dados da Agência Internacional de Energia mostram que o preço médio do combustível de aviação na Europa ultrapassou US$ 188 por barril — um aumento de 106% em relação ao ano anterior — enquanto as preocupações com o abastecimento crescem após alertas da UE de que os estoques podem ficar criticamente baixos em seis semanas caso os petroleiros do Oriente Médio continuem bloqueados. A companhia holandesa KLM já cancelou 160 voos para maio, e a startup norueguesa de voos longos Norse Atlantic suspendeu abruptamente a rota Londres–Los Angeles, citando “exposição inesperada ao risco do combustível”. A operadora escandinava SAS reduziu 1.000 voos em abril no início do mês. Para os gestores de viagens corporativas, as consequências são imediatas. Além do aumento das tarifas aéreas, os cancelamentos em massa complicam as obrigações de cuidado com os funcionários: eles podem precisar transitar por hubs alternativos, aumentando o tempo de viagem e o risco de perder conexões. Passageiros com voos Lufthansa cancelados têm direito, segundo o Regulamento da UE 261, a reacomodação ou reembolso, além de compensação — direitos que a Comissão Europeia reafirmou esta semana, apesar da pressão das companhias aéreas para dispensar os pagamentos em “circunstâncias extraordinárias” causadas pela crise do combustível. As equipes de mobilidade devem, portanto, revisar os itinerários futuros, acompanhar a lista diária de cancelamentos da Lufthansa e preparar os viajantes para possíveis pernoites caso as conexões nos hubs sejam apertadas. O setor Mittelstand, motor exportador da Alemanha, também se prepara para desafios logísticos. Com a redução da capacidade de carga nos porões dos aviões de passageiros cancelados, os agentes de carga esperam aumento nos preços spot para componentes de alto valor e prazos de entrega mais longos — agravando as já tensionadas cadeias de suprimentos. A Câmara de Comércio e Indústria da Alemanha (DIHK) está pressionando o governo federal para acelerar medidas emergenciais, como a liberação de reservas estratégicas de combustível e o apoio aos aeroportos para agilizar o turnaround em solo, maximizando o tempo de voo disponível na programação restante. A eficácia dessas ações dependerá muito da situação geopolítica: se o Estreito de Ormuz permanecer fechado durante o verão, analistas alertam que cortes mais profundos e reestruturações mais amplas na malha aérea podem ocorrer, testando ainda mais a recuperação da mobilidade na Europa pós-pandemia. Na prática, os gestores globais de mobilidade devem: 1) identificar proativamente os viajantes em voos do Grupo Lufthansa até outubro e confirmar se seus voos estão mantidos; 2) aumentar as margens de conexão ou considerar o uso de trens para trechos intraeuropeus; 3) alertar os colaboradores que trazem familiares para a Alemanha neste verão sobre a capacidade reduzida na alta temporada; e 4) guardar todos os comprovantes — pedidos de compensação sob o EU 261 podem se tornar uma importante forma de recuperar custos caso as interrupções aumentem. A médio prazo, empresas com grande volume de viagens centradas na Alemanha podem querer negociar cláusulas de sobretaxa de combustível em contratos corporativos ou diversificar rotas por hubs concorrentes, como Paris CDG ou Istambul IST.
Fonte: Euronews
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