
Viajantes a negócios enfrentaram atrasos inesperados na manhã de terça-feira (2 de junho) após uma falha na rede de comunicação por voz via satélite da Embratel, que interrompeu a ligação entre controladores de tráfego aéreo e pilotos no corredor aéreo mais movimentado do Brasil. Segundo o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) da Força Aérea Brasileira, a pane começou às 09h24, obrigando à suspensão imediata das decolagens e à limitação das aterrissagens nos aeroportos de Congonhas (CGH), Guarulhos (GRU) e Viracopos (VCP). As operações foram normalizadas às 10h40, mas até então 35 voos foram cancelados e mais de 120 sofreram atrasos, causando efeitos em Brasília, Rio de Janeiro e diversos hubs da América Latina. O DECEA apontou como causa raiz “uma falha técnica em um provedor externo de comunicações”; a Embratel confirmou posteriormente um problema em um dos gateways terrestres de seus satélites geoestacionários. Embora não tenha ocorrido nenhum incidente de segurança, aeronaves já em voo foram orientadas a aguardar ou desviar, e paradas no solo foram impostas para todas as partidas. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) abriu uma revisão técnica com o DECEA e a Embratel para verificar se os circuitos redundantes atendem às normas internacionais da ICAO. Para gestores de mobilidade corporativa, a interrupção reforça que a principal cidade de negócios da América do Sul ainda depende de uma infraestrutura de comunicação antiga. Empresas multinacionais com cadeias de suprimentos just-in-time pelo terminal de cargas de GRU relataram conexões perdidas para peças de alto valor e medicamentos. Passageiros com conexões para Miami, Frankfurt e Santiago foram remarcados em voos posteriores, mas os custos com hotéis e cuidados aumentaram rapidamente. Lições práticas: as empresas devem garantir que os perfis dos viajantes incluam números de celular atualizados para receber alertas de remarcação das companhias aéreas; considerar reservar funcionários críticos em voos matinais saindo do RioGaleão ou Brasília quando houver riscos climáticos ou de infraestrutura em São Paulo; e revisar apólices de seguro viagem para cobertura de “interrupção de serviços aeroportuários”. A ANAC já sinalizou que pode endurecer as exigências de planos de contingência para provedores de telecomunicações — um tema que as equipes de mobilidade devem acompanhar de perto, especialmente com a expectativa de recorde de visitantes no Brasil durante a Copa do Mundo Feminina de 2027.
Fonte: UOL / Agência Estado
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