
Em 20 de abril de 2026, um grupo multipartidário na Câmara dos Deputados do Brasil apresentou o Projeto de Lei 1649/2026, a primeira iniciativa do país para criar um visto específico para trabalhadores sazonais do setor agrícola. A proposta responde a evidências crescentes de que o agronegócio brasileiro — responsável por quase 25% do PIB — depende de ondas de trabalhadores temporários que frequentemente ficam em zonas cinzentas legais e, em casos extremos, enfrentam condições semelhantes ao trabalho forçado.
Se aprovado, o projeto alteraria a Lei de Migração de 2017 para instituir o "Visto de Trabalho Sazonal", válido por até cinco anos e com múltiplas entradas. Os empregadores seriam obrigados a registrar as ofertas de emprego no Sistema Nacional de Emprego (SINE) e fornecer contratos detalhando salários, jornada, moradia e normas de saúde e segurança. O Ministério do Trabalho teria autoridade para limitar cotas regionais e suspender vistos em caso de desemprego agudo, seguindo modelos de proteção semelhantes ao Programa de Trabalhadores Agrícolas Sazonais do Canadá.
Os formuladores da política defendem que a medida trará previsibilidade às cadeias produtivas do agronegócio, ao mesmo tempo em que protege os migrantes — nacionais ou estrangeiros — contra a exploração. Na Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, vinícolas já preveem uma queda de até 30% na mão de obra da colheita caso os trabalhadores estrangeiros dos países vizinhos do Mercosul deixem de comparecer. A formalização dos vistos também pode reduzir a contratação de paraguaios e bolivianos sem documentação, que atualmente são recrutados por intermediários, prática que tem motivado ações de fiscalização intensas pelas equipes móveis do trabalho no Brasil.
Para departamentos de mobilidade global e recursos humanos, o projeto sinaliza uma mudança para vistos baseados em programas, em vez de autorizações temporárias pontuais. Multinacionais com subsidiárias de agritecnologia ou marcas alimentícias integradas verticalmente precisarão sincronizar seus calendários de recrutamento com os ciclos de emissão dos vistos e garantir que os contratos com fornecedores incluam cláusulas de conformidade sobre padrões de alojamento. Como o visto permite múltiplas entradas ao longo de cinco anos, pode facilitar a contratação de trabalhadores que retornam e reduzir custos de treinamento — uma vantagem em setores como cana-de-açúcar, café e exportação de frutas, onde a retenção de habilidades aumenta a produtividade.
O projeto segue agora para as comissões de Agricultura, Administração Pública e Constituição e Justiça. Observadores esperam forte lobby das associações de produtores rurais em busca de maior flexibilidade na duração dos contratos, enquanto ONGs de direitos trabalhistas pressionam por regras mais rigorosas para a acomodação. O governo ainda não indicou se dará prioridade à tramitação, mas fontes do Ministério da Justiça afirmam que a conformidade com a Convenção 181 da OIT sobre Agências Privadas de Emprego é condição para a aprovação presidencial. As empresas devem acompanhar de perto os debates nas comissões, pois alterações nas penalidades ou nas garantias aos empregadores podem impactar significativamente os custos de conformidade.
Se aprovado, o projeto alteraria a Lei de Migração de 2017 para instituir o "Visto de Trabalho Sazonal", válido por até cinco anos e com múltiplas entradas. Os empregadores seriam obrigados a registrar as ofertas de emprego no Sistema Nacional de Emprego (SINE) e fornecer contratos detalhando salários, jornada, moradia e normas de saúde e segurança. O Ministério do Trabalho teria autoridade para limitar cotas regionais e suspender vistos em caso de desemprego agudo, seguindo modelos de proteção semelhantes ao Programa de Trabalhadores Agrícolas Sazonais do Canadá.
Os formuladores da política defendem que a medida trará previsibilidade às cadeias produtivas do agronegócio, ao mesmo tempo em que protege os migrantes — nacionais ou estrangeiros — contra a exploração. Na Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, vinícolas já preveem uma queda de até 30% na mão de obra da colheita caso os trabalhadores estrangeiros dos países vizinhos do Mercosul deixem de comparecer. A formalização dos vistos também pode reduzir a contratação de paraguaios e bolivianos sem documentação, que atualmente são recrutados por intermediários, prática que tem motivado ações de fiscalização intensas pelas equipes móveis do trabalho no Brasil.
Para departamentos de mobilidade global e recursos humanos, o projeto sinaliza uma mudança para vistos baseados em programas, em vez de autorizações temporárias pontuais. Multinacionais com subsidiárias de agritecnologia ou marcas alimentícias integradas verticalmente precisarão sincronizar seus calendários de recrutamento com os ciclos de emissão dos vistos e garantir que os contratos com fornecedores incluam cláusulas de conformidade sobre padrões de alojamento. Como o visto permite múltiplas entradas ao longo de cinco anos, pode facilitar a contratação de trabalhadores que retornam e reduzir custos de treinamento — uma vantagem em setores como cana-de-açúcar, café e exportação de frutas, onde a retenção de habilidades aumenta a produtividade.
O projeto segue agora para as comissões de Agricultura, Administração Pública e Constituição e Justiça. Observadores esperam forte lobby das associações de produtores rurais em busca de maior flexibilidade na duração dos contratos, enquanto ONGs de direitos trabalhistas pressionam por regras mais rigorosas para a acomodação. O governo ainda não indicou se dará prioridade à tramitação, mas fontes do Ministério da Justiça afirmam que a conformidade com a Convenção 181 da OIT sobre Agências Privadas de Emprego é condição para a aprovação presidencial. As empresas devem acompanhar de perto os debates nas comissões, pois alterações nas penalidades ou nas garantias aos empregadores podem impactar significativamente os custos de conformidade.
Fonte: Americas Migration Brief
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