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Pesquisa histórica com 10.000 participantes revela roubo sistemático de salários entre trabalhadores temporários na Austrália

mai. 8, 2026
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Pesquisa histórica com 10.000 participantes revela roubo sistemático de salários entre trabalhadores temporários na Austrália
Um novo estudo publicado em 7 de maio de 2026 pelo Instituto de Justiça Migrante e divulgado pela ABC Ásia revela o retrato mais detalhado até hoje da exploração trabalhista na vasta força de trabalho temporária da Austrália. Pesquisadores entrevistaram 9.889 trabalhadores migrantes — 80% deles estudantes internacionais — em todos os estados e territórios. Dois terços relataram receber menos do que o salário mínimo legal; um quarto foi sub-remunerado em pelo menos A$10 por hora. Os autores estimam que apenas os estudantes internacionais são lesados em cerca de A$61 milhões por semana, ou mais de A$3 bilhões por ano.

Embora os pagamentos em dinheiro tenham caído de 44% em 2016 para 23%, a prática de “contratação fraudulenta” disparou. Mais de um terço dos entrevistados trabalhava com Australian Business Numbers (ABN), uma taxa quatro vezes maior que a da força de trabalho geral, permitindo que empregadores evitem salários regulamentados, contribuições para aposentadoria e fiscalização do Fair Work. Contratos casuais agravam o problema: trabalhadores casuais têm o dobro de chances de ganhar abaixo do mínimo nacional em comparação com funcionários permanentes.

Pesquisa histórica com 10.000 participantes revela roubo sistemático de salários entre trabalhadores temporários na Austrália


O relatório relaciona a sub-remuneração generalizada às políticas migratórias da Austrália. O limite de 48 horas quinzenais para portadores de visto de estudante, reintroduzido em janeiro, força muitos a aceitarem empregos informais para sobreviver, distorcendo o mercado em favor de empregadores que não cumprem a lei. Os pesquisadores afirmam que a exploração deixou de ser um problema marginal para se tornar um modelo de negócio central, alertando que isso prejudica a concorrência ao permitir que operadores irregulares prejudiquem empresas legais.

As recomendações incluem abolir ou aumentar o limite de horas para estudantes, criminalizar em larga escala a “contratação fraudulenta” e garantir aos trabalhadores migrantes um visto seguro para reivindicar salários roubados sem medo de cancelamento. As novas infrações criminais por roubo de salário e as reformas do Fair Work propostas pelo governo Albanese ajudarão, mas os autores destacam que os recursos para fiscalização precisam ser ampliados drasticamente para coibir as irregularidades.

Para gestores de mobilidade corporativa, os resultados trazem implicações reputacionais e para a cadeia de suprimentos: clientes e fornecedores que dependem dos setores de hospitalidade, varejo ou limpeza na Austrália podem estar, sem saber, lucrando com a sub-remuneração sistêmica. Empresas globais já enfrentam pressão das regras de combate à escravidão moderna, e os dados da pesquisa podem desencadear novas auditorias de conformidade. Empregadores que patrocinam trabalhadores temporários qualificados também devem esperar uma fiscalização mais rigorosa dos registros salariais, à medida que os órgãos reguladores intensificam a fiscalização.
Fonte: ABC Asia / The Conversation

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