
A alta nos preços globais do petróleo, ligada ao aumento das tensões no Médio Oriente, está a impactar o setor de viagens. Em entrevista à Clare FM no dia 7 de abril, o consultor de viagens de Ennis, Gearóid Mannion, previu que os turistas e viajantes de negócios irlandeses enfrentarão preços mais altos nas passagens caso a escassez de combustível para aviões persista até o verão. O índice de preços de combustível da IATA na Europa subiu 13% no último mês e está 130% acima do valor de um ano atrás, enquanto alguns aeroportos secundários no continente — como Brindisi — já ficaram sem combustível e estão solicitando que as companhias aéreas tragam combustível de outros locais. O combustível representa cerca de 25 a 30% dos custos operacionais de uma companhia aérea; cada aumento de 1 dólar no preço do petróleo Brent geralmente adiciona cerca de €2,50 ao custo de uma passagem econômica de ida e volta entre Dublin e Paris, segundo cálculos aproximados do setor. As companhias aéreas de baixo custo com forte presença na Irlanda, incluindo a Ryanair, já garantiram posições de hedge para parte do consumo de 2026, mas as companhias tradicionais reduziram essa proteção desde a pandemia, ficando mais vulneráveis à volatilidade dos preços. Para as empresas, a consequência imediata é a incerteza orçamental. Os gestores de viagens devem rever as previsões de gastos com passagens aéreas para 2026, incluir uma margem de contingência para variações de preço e incentivar reservas antecipadas para garantir disponibilidade antes que as classes tarifárias se esgotem. Empresas que realizam ciclos de rotação de expatriados durante o verão podem considerar a compra em lote de passagens flexíveis ou explorar rotas via hubs no Reino Unido, que possuem maiores reservas de combustível. A situação também evidencia o impacto indireto na economia do turismo receptivo da Irlanda. Clare recebeu cerca de 810 mil visitantes pernoitantes no ano passado, muitos dos quais chegaram pelo Aeroporto de Shannon; tarifas mais altas podem reduzir a demanda justamente quando os hotéis estão liberando quartos antes usados para acomodação de refugiados. As entidades regionais de turismo estão, portanto, pressionando por investimentos em marketing direcionado para defender a participação no mercado britânico, americano e europeu continental. Embora seja improvável que haja racionamento de combustível nos aeroportos irlandeses, as companhias aéreas podem impor restrições de peso ou reduzir frequências em rotas menos lucrativas caso a escassez se agrave. As equipes de mobilidade corporativa devem acompanhar os comunicados operacionais das companhias aéreas e manter os viajantes informados sobre possíveis medidas de contenção, como fiscalização mais rigorosa da bagagem de mão.
Fonte: Clare FM
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