
Os serviços de assistência social de Londres, já sobrecarregados, estão “em risco de colapso” caso os ministros avancem com os planos de triplicar o período necessário para que trabalhadores estrangeiros na área possam solicitar a residência permanente, alertou na sexta-feira o sindicato UNISON. Em um comunicado contundente, o UNISON afirmou que as novas propostas, que exigiriam que profissionais de saúde e assistência social aguardem até 15 anos para pedir a Residência Permanente (Indefinite Leave to Remain - ILR), levariam milhares a deixarem o Reino Unido justamente quando as vagas atingem níveis recordes. O setor, que depende de cerca de 58 mil trabalhadores estrangeiros só em Londres, foi afetado no verão passado com o endurecimento das regras para novos entrantes. Para suprir a demanda, os empregadores passaram a patrocinar trabalhadores já no país, muitos dos quais aceitaram os empregos com a expectativa de poderem se estabelecer após cinco anos. Estender esse prazo retroativamente, argumenta o UNISON, “é moralmente errado e agravará a crise de pessoal”. Entre os casos citados pelo sindicato estão cuidadores ganeses e nigerianos ameaçados de perder o patrocínio por reclamarem de horas não pagas. O UNISON está mobilizando parlamentares da capital para rejeitarem a medida quando ela for votada na Câmara dos Comuns ainda nesta primavera. O sindicato também pede ao governo que flexibilize as regras que impedem os cuidadores de trocar de empregador sem reiniciar o processo de visto — restrições que, segundo eles, favorecem a exploração. Grupos patronais, embora preocupados com o aumento dos custos de vistos a longo prazo, reconhecem nos bastidores que a espera de 15 anos prejudicaria as campanhas de recrutamento lançadas há apenas dois anos. Para os profissionais de mobilidade global, a mensagem é dupla: trabalhadores patrocinados atualmente podem pedir demissão se o horizonte para a residência se estender, e novos recrutados vão exigir salários maiores ou pacotes de realocação para compensar a incerteza. Organizações que prestam serviços clínicos terceirizados ao NHS enfrentam a perspectiva de pagar tarifas de agências ou desviar funcionários de outras regiões, a menos que a política seja flexibilizada. O episódio também evidencia uma mudança mais ampla na estratégia de imigração do Reino Unido, que passa de rotas baseadas no tempo de serviço para modelos baseados na contribuição, com reformas para trabalhadores qualificados e um modelo de “Residência por Mérito” previsto para este ano. As equipes de mobilidade devem acompanhar as emendas parlamentares e planejar cenários para retenção de pessoal, especialmente em setores já afetados pela escassez de habilidades.
Fonte: UNISON Greater London