
Uma instabilidade repentina no sistema global de navegação por satélite (GNSS/GPS) usado pelos E-Jets de segunda geração da Embraer (E195-E2 e E190-E2) forçou a companhia aérea brasileira Azul Linhas Aéreas a cancelar ou atrasar mais de 80 voos entre a noite de 22 de setembro e a manhã de 23 de setembro. Aeroportos em Brasília, São Paulo-Congonhas, Rio de Janeiro-Santos Dumont, Belo Horizonte-Confins e o principal hub da Azul em Campinas-Viracopos registraram uma série de atrasos que afetaram mais de 8.000 passageiros. A Embraer confirmou que a falha não comprometeu a segurança dos voos, mas exigiu que as aeronaves permanecessem no solo até que os fornecedores de aviônicos restabelecessem o posicionamento GPS confiável. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) emitiram um NOTAM alertando os operadores sobre possíveis erros de posicionamento e autorizando procedimentos alternativos sem uso do GPS, quando disponíveis. Para viajantes corporativos e empresas multinacionais, os cancelamentos abruptos evidenciaram a vulnerabilidade das redes regionais ponto a ponto, nas quais muitos programas de mobilidade corporativa dependem para deslocar funcionários entre os polos industriais de São Paulo, Minas Gerais e a capital federal. Gestores de viagens correram para realocar executivos em voos da Latam e Gol ou transferir reuniões para o ambiente virtual; várias empresas acionaram cláusulas de força maior em suas políticas de mobilidade para cobrir hospedagens e transportes terrestres de última hora. Do ponto de vista operacional, o episódio deve acelerar as discussões em curso entre Embraer, companhias aéreas e ANAC sobre a obrigatoriedade de receptores multi-constelação, capazes de alternar entre os satélites europeus Galileo ou chineses BeiDou. A Azul já anunciou uma revisão dos planos de contingência e informa que os clientes afetados podem remarcar ou solicitar reembolso sem custo dentro de 12 meses. Especialistas afirmam que o incidente é um alerta para o mercado aéreo latino-americano, que adotou rapidamente os procedimentos de Navegação Requerida por Performance (RNP) baseados em satélite para reduzir o consumo de combustível e as emissões de CO₂. "A redundância entre constelações e o monitoramento em tempo real dos eventos do clima espacial serão fundamentais para garantir a confiabilidade da qual depende o moderno transporte corporativo ponto a ponto", destaca João Pedro Salles, engenheiro aeronáutico da Universidade de Brasília.
Fonte: Poder360, UOL Agência Estado
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