
Um relatório investigativo publicado pelo Süddeutsche Zeitung em 9 de julho de 2026 revela que o terminal especializado em deportações, em construção no Aeroporto de Munique, foi projetado para processar até dois voos charter de deportação e 100 retornos individuais em voos regulares por dia — o dobro da capacidade indicada pelas autoridades. Os números surgiram a partir de uma pergunta parlamentar feita pelo Partido Verde no parlamento estadual da Baviera. A instalação, financiada conjuntamente pelos ministérios do Interior federal e bávaro, inclui celas separadas, portões de embarque seguros e espaço para salas de briefing da polícia. As autoridades afirmam que o terminal permitirá deportações “eficientes e em conformidade com os direitos humanos”, reduzindo a necessidade de transportar os deportados de ônibus até Frankfurt ou Düsseldorf. ONGs de direitos humanos alertam que concentrar os retornos em um único centro pode normalizar expulsões em grande escala e dificultar a supervisão judicial, já que a maioria dos tribunais bávaros fica a 40 km, no centro da cidade. As companhias aéreas acompanham o caso de perto: segundo as regras do EU261, elas continuam responsáveis pelos passageiros em caso de interrupções nos voos de deportação. A Lufthansa e sua subsidiária CityLine confirmaram que operarão algumas rotas charter, mas não divulgaram números. Sindicatos do aeroporto exigem protocolos claros e pagamento extra para os funcionários de solo envolvidos no que classificam como “operações de alto estresse e alto risco”. Para empresas que transferem funcionários para a Baviera, o terminal tem um valor mais simbólico, mas sinaliza uma postura mais rigorosa na aplicação das regras. Advogados de imigração esperam maior rigor na análise de pedidos humanitários e recomendam que empregadores garantam que os funcionários rejeitados deixem a Alemanha voluntariamente antes da emissão de ordens de deportação forçada, que podem acarretar proibições de reentrada por vários anos. A construção está prevista para ser concluída em março de 2027. Partidos de oposição pedem uma audiência pública, enquanto o ministério federal do Interior insiste que o projeto apenas centraliza as atividades de deportação já existentes e não altera os critérios legais para expulsões.
Fonte: Süddeutsche Zeitung