
Viajantes que passaram pelo Aeroporto de Heathrow, em Londres, no dia 23 de maio, enfrentaram mais uma rodada de transtornos típicos de feriado prolongado, causados por uma combinação de clima instável e restrições no controle de tráfego aéreo, que levaram as companhias aéreas a cancelar cinco voos e atrasar mais de cem outros. Dados em tempo real analisados pelo site de inteligência de viagens The Traveler indicam atrasos de até três horas em rotas europeias essenciais para negócios, como Bruxelas, Berlim, Frankfurt e Oslo, além do trecho transatlântico para Toronto. A equipe operacional apontou que o principal motivo foi a redução na taxa de pousos devido à baixa visibilidade, mas as companhias alertaram que a escassez crônica de recursos — com poucos aviões reservas, janelas de manutenção apertadas e tripulações próximas ao limite de horas de trabalho — dificulta a recuperação dos atrasos. British Airways, Delta, United e Scandinavian Airlines foram as mais afetadas, com o modelo hub-and-spoke da BA agravando a perda de conexões subsequentes. Planejadores de mobilidade corporativa foram lembrados da vulnerabilidade estrutural de Heathrow: qualquer choque na programação pode se espalhar pelas redes globais, já que o aeroporto concentra um quarto dos passageiros de voos longos do Reino Unido e opera próximo da capacidade máxima de slots. Analistas destacam que as opções de desvio são limitadas, pois Gatwick e Manchester também estão quase no limite de utilização. Defensores dos direitos dos passageiros recomendaram que as empresas informem os viajantes sobre as regras de compensação da UE/Reino Unido, que podem não valer em casos de atrasos causados por condições climáticas ou controle de tráfego aéreo, e que mantenham registros detalhados para eventuais reivindicações. Também aconselharam incluir margens maiores nos itinerários, especialmente para compromissos apertados no mesmo dia ou conexões para a Ásia. Com a demanda de verão prevista para superar os níveis de 2019, as companhias aéreas pressionam o Departamento de Transportes para acelerar medidas planejadas há tempos, como ampliação da capacidade das pistas e reforço de pessoal. Até lá, empresas podem precisar contratar seguros para cobrir o risco elevado de negócios perdidos e custos extras com hospedagem sempre que o céu cinzento pairar sobre Heathrow.
Fonte: The Traveler