
Na Feira Aérea de Berlim, em 15 de junho de 2026, o chanceler Friedrich Merz revelou a primeira estratégia nacional de aviação da Alemanha em uma década, prometendo transformar o país no “principal hub de transporte aéreo da Europa”. Em poucas horas, a Associação de Representantes de Companhias Aéreas na Alemanha (BARIG), que representa mais de 100 companhias nacionais e estrangeiras, saudou a visão, mas criticou a estrutura de custos que, segundo eles, compromete o próprio objetivo da estratégia. O presidente da BARIG, Michael Hoppe, destacou que os aeroportos alemães cobram algumas das taxas de passageiros e de segurança mais altas do continente. Somado ao aumento do imposto sobre passageiros aéreos em 2024, os custos totais do local, segundo a BARIG, levaram companhias aéreas de baixo custo a transferir capacidade para países vizinhos e forçaram as companhias de rede a reduzir frequências em rotas menos lucrativas. O governo planeja reduzir parte desse imposto em 1º de julho de 2026, mas a associação considera essa medida “cosmética”. Além dos impostos, o grupo pediu que Berlim digitalize a triagem de segurança da aviação, harmonize as taxas de coordenação de slots e subsidie a infraestrutura de combustíveis sustentáveis para aviação, para que as companhias não arcarem sozinhas com os custos de pioneirismo. A BARIG alertou que a falta de ação reduzirá o fluxo intercontinental da Alemanha, prejudicando indústrias exportadoras que dependem de conexões no mesmo dia para Ásia e América do Norte. Para os gestores de viagens corporativas, a disputa vai além do lobby da indústria: o aumento das taxas aeroportuárias impacta diretamente o preço das passagens e pode tornar aeroportos secundários inviáveis para equipes regionais de vendas. Os orçamentos de mobilidade para 2026 devem, portanto, manter uma reserva para sobretaxas de combustível e permitir itinerários via hubs fora da Alemanha até que haja maior clareza. O Ministério dos Transportes afirmou que convocará um grupo de trabalho com as partes interessadas antes do recesso de verão. Não são esperadas reduções imediatas nas tarifas, mas autoridades indicaram a possibilidade de um limite para aumentos anuais das taxas atrelado à inflação – um pequeno passo rumo à estrutura de custos mais amigável ao cliente que as companhias aéreas exigem.
Fonte: Aviation.Direct
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