
As seis fábricas da Airbus na Espanha permanecerão paradas até pelo menos 31 de julho e podem continuar fechadas até o outono, após as assembleias dos trabalhadores em 21 de julho rejeitarem a última proposta da empresa sobre salários e teletrabalho. Reunidos em Getafe, Sevilha, Illescas, Albacete e El Puerto de Santa María, a maioria dos sindicatos (UGT, CGT, SIPA, ATP e UTIL) rejeitou um aumento salarial de 12% em dois anos, defendido pela CCOO, e autorizou seus comitês a notificarem uma greve indefinida a partir de 24 de agosto — logo após o período de férias das fábricas. O conflito, que começou com uma paralisação de duas semanas em 1º de julho, gira em torno de três pontos: recuperação salarial indexada à inflação após alta acentuada do IPC espanhol, manutenção das cotas atuais de teletrabalho (40% da semana) e garantias para 1.000 funcionários que devem ser transferidos para uma nova joint venture de tecnologia espacial com Thales e Leonardo. A direção argumenta que vincular os aumentos rigidamente à inflação prejudicaria a competitividade em um mercado aeronáutico já afetado por gargalos na cadeia de suprimentos, e que a flexibilidade do trabalho híbrido deve acompanhar o aumento da produção. Por que isso importa para profissionais de mobilidade global? A Airbus Espanha fabrica asas do A320 e o transporte militar A400M; a prolongada greve pode atrasar entregas, complicar o planejamento das redes aéreas e deslocar cronogramas de treinamento de tripulações. Engenheiros expatriados em missões temporárias podem ter suas estadias prorrogadas, enquanto novos designados podem enfrentar falta de moradia se o retorno das férias em agosto coincidir com a escalada da greve. Consultores jurídicos também alertam para riscos migratórios: contratados não pertencentes à UE, com permissões de residência vinculadas a projetos patrocinados pela Airbus, podem ter problemas caso os turnos sejam cancelados, devido aos limites mínimos salariais da Espanha. Alguns empregadores já avaliam rotas de transferência intraempresa (ICT UE) para realocar temporariamente funcionários para unidades da Airbus em Toulouse ou Hamburgo. O Grupo Airbus ainda não solicitou mediação governamental, mas o Ministério da Indústria está empenhado em evitar novos atrasos na produção, enquanto a Espanha busca atrair mais investimentos aeroespaciais. Gestores de mobilidade devem se preparar para possíveis bloqueios de viagens nas áreas afetadas e atualizar notificações de trabalhadores destacados caso as missões sejam reorganizadas entre países.
Fonte: Cinco Días